O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu o relatório final com a causa da queda de um avião anfíbio de pequeno porte dentro do Rio Tietê, em Pereira Barreto (SP), em fevereiro de 2024. O acidente resultou na morte do piloto Rosivaldo Mendes da Silva, à época com 38 anos, e deixou um passageiro gravemente ferido.
De acordo com o documento técnico da Força Aérea Brasileira que faz parte do relatório, o ultraleve experimental apresentava uma série de irregularidades que contribuíram para o desfecho trágico. Durante a perícia, os investigadores localizaram diversos componentes não aeronáuticos e adaptados no motor, como radiador de óleo, filtros de ar e de combustível de veículos terrestres, abraçadeiras de uso geral e fios elétricos remendados com fita isolante.
Ainda conforme consta no relatório, o piloto era proprietário de uma oficina de motos na cidade de Sud Mennucci (SP) e realizava as manutenções da aeronave.
Além das condições estruturais, a investigação constatou que o condutor do avião não estava habilitado para pilotar aquele tipo de aeronave. Embora possuísse certificado para operar veículos aéreos, ele não possuía a habilitação específica de aeronave aquática ou anfíbia exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
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Queda de ultraleve em Pereira Barreto (SP) — Foto: Divulgação
A vítima também mantinha registros de voo desatualizados — com pouco mais de 12 horas lançadas no sistema oficial — e passou mais de uma década voando com habilitação vencida.
Outro ponto destacado no relatório foi a infração quanto ao horário de voo. A decolagem de um aeródromo privado da região foi realizada para observar o pôr do sol, e o voo se estendeu para além do horário diurno permitido. A pista operava exclusivamente durante o dia, e a legislação veda o voo noturno para aparelhos de classe experimental sem equipamentos específicos e autorizações.
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Relatório da Cenipa aponta causa de queda de ultraleve em Pereira Barreto (SP) — Foto: Divulgação
Cerca de dez minutos após a decolagem, a aeronave inclinou-se de forma súbita para o lado esquerdo, perdeu sustentação e chocou-se violentamente contra a superfície da água, parando submersa. O passageiro conseguiu ser resgatado com vida, mas o piloto não resistiu.
O Cenipa concluiu que a “inobservância de normas e regulamentos” foi o principal fator determinante para o acidente, alertando que operar à margem dos padrões da aviação civil compromete os níveis mínimos de segurança exigidos. O resultado final do relatório foi divulgado nesta quarta-feira (14).
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Relatório da Cenipa aponta causa da queda de ultraleve em Pereira Barreto (SP) — Foto: Divulgação
Relembre o caso
O acidente ocorreu na tarde do dia 25 de fevereiro de 2024. Segundo o Corpo de Bombeiros, pescadores que estavam no Rio Tietê, próximo ao local da queda, viram o acidente e acionaram o resgate. A aeronave foi encontrada submersa próxima às margens do rio.
A vítima foi identificada como Rosivaldo Mendes da Silva e não resistiu. Já o sobrevivente foi socorrido com fratura na perna. Ele foi levado ao pronto-socorro da cidade.












