Qual o melhor critério para descarte de matrizes?

Reposição de matrizes deve ficar em torno de 20 a 30%, nunca ultrapassar esse limite

Qual o melhor critério para descarte de matrizes?

Alessandra Nicácio- Pesquisadora em reprodução animal da Embrapa

Uma vaca saindo vazia da estação de monta pode parecer um problema pequeno. Mas e se forem 30 ou 40% das vacas saindo vazias da estação de monta (EM)? Isso quer dizer que 30 a 40% das matrizes consumiram a pastagem, o sal mineral e a água e não produziram bezerro! E agora, parece um problema pequeno? Como resolver? Um começo é identificar os animais mais e menos produtivos e, aos poucos, selecionar os melhores, descartando os piores. Parece simples, e realmente é. Só é necessário estabelecer parâmetros de avaliação e critérios para seleção e descarte de matrizes. O resultado disso será positivo e, o melhor, sem quase aumento de custo.
Tudo começa por conhecer o rebanho do ponto de vista zootécnico, ou seja, saber o número de animais em reprodução, intervalo entre partos (IEP), taxas de prenhez, natalidade e desmama, pesos ao nascimento e desmama, etc. É essencial acompanhar os animais ao longo do ano, saber a condição corporal e nutricional dos mesmos, verificar as variações de peso nas águas e secas para identificar deficiências que precisam ser minimizadas e/ou corrigidas. Tanto matrizes quanto reprodutores em más condições nutricionais e perdendo peso terão, certamente, o desempenho reprodutivo prejudicado.
Para as matrizes há manejos de rotina a serem feitos e que servem como pontos de controle, especialmente da condição corporal, como diagnóstico de gestação, desmama, parto e início da estação de monta. Quanto antes as deficiências forem identificadas, mais cedo são passíveis de correção.
O mais importante é estabelecer os critérios de descarte! O principal critério utilizado nas propriedades rurais de gado de corte é a falha reprodutiva, vaca saindo vazia da estação de monta. Para isso, basta o diagnóstico de gestação (DG). Em geral, após 30 dias do final da estação de monta (ou saída dos touros) já é possível fazer o DG. O procedimento é essencial para verificar a taxa de prenhez. Além disso, durante o DG, o médico-veterinário realizará o exame ginecológico nas matrizes não prenhes, verificando se há alteração no trato reprodutivo desses animais. Com os diagnósticos em mãos, é simples escolher as vacas vazias que deverão deixar o rebanho. Caso existam matrizes não prenhes, mas com bezerros ao pé, oriundos da estação anterior, elas permanecem no rebanho até a desmama de seus bezerros.