
Sancionada pelo governo federal, norma estabelece critérios para divisão de custos e custódia de animais quando não há acordo em separações. Em Bauru (SP), tutora divide rotina de 7 cães com o ex-marido.
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7 cães da raça Spitz vivem com os tutores, que são separados e dividem a guarda dos animais — Foto: Arquivo pessoal
No dia 17 de abril, o governo federal sancionou e publicou a lei que regulamenta a guarda compartilhada de animais de estimação quando casais se separam. Abaixo confira os principais pontos da lei:
- A guarda compartilhada será adotada como regra quando não houver acordo entre o ex-casal;
- Pet é considerado uma “propriedade comum” se viveu a maior parte do tempo durante a relação;
- O juiz vai definir a divisão do tempo com o animal com base no bem-estar e nas condições de cada tutor;
- Custos do dia a dia (alimentação e higiene) são responsabilidade de quem estiver com o animal;
- Despesas extras (veterinário, internações, medicamentos) devem ser divididas igualmente;
- Guarda compartilhada não será concedida em casos de violência doméstica ou maus-tratos; nesse caso, o agressor perde a posse e a propriedade do animal, sem indenização
- Quem abrir mão da guarda também perde a posse e a propriedade do pet;
- Descumprimento repetido de regras combinadas pode levar à perda definitiva da guarda.
Em Bauru (SP), a fonoaudióloga Sandra Laranja vive essa realidade. Em entrevista ao g1, a mulher de 50 anos conta que divide o tempo com os 7 cães da raça Spitz com o ex-marido, Marcelo Barretta.
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Tutora divide rotina de 7 cães com o ex-marido — Foto: Arquivo pessoal
“É livre demanda. O meu ex-marido viaja muito e fica alguns meses fora, daí eu fico com eles. Fora isso, eu os vejo a cada 15 dias ou mensalmente”, explica.
Por ter um bom relacionamento, a guarda não é uma questão entre a dupla. Segundo ela, a lei é necessária, principalmente para aquelas dinâmicas que não terminaram bem. “É importante a lei, principalmente quanto a separação não for amigável”, ressalta.
A fonoaudióloga explica que os animais não sentiram diferença com o novo modo de vida, já que vivem em dois lares. “Eles ficam tranquilos”, acrescenta ela.
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Casal divide guarda compartilhada de 7 cães — Foto: Arquivo pessoal
⚖️ Importância da lei
Para Thaís Votto, advogada e ativista dos direitos dos animais, a lei é a confirmação do reconhecimento animal enquanto ser, e não um objeto.
“Com essa lei, mais uma vez, eles são reconhecidos como sujeitos que têm direitos, como entes familiares queridos, como seres que fazem parte da família e não sujeitos a uma partilha como se fossem bens”, defende a profissional.
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Thaís Votto é advogada e ativista dos direitos dos animais — Foto: Arquivo pessoal
A norma estabelece alguns critérios para a divisão da custódia e das despesas com os pets quando há o término do casamento do casamento ou união estável e não há acordo entre as partes.
O texto, aprovado pelo Congresso em 31 de março, prevê que o juiz deverá dividir o compartilhamento da custódia e dos custos da manutenção do animal de maneira equilibrada entre as duas partes.
Entre os fatores a serem julgados estão: condições de moradia, capacidade de cuidado, tempo disponível e bem-estar do animal.
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Lei reconhece importância de animais enquanto seres e não apenas objetos — Foto: Arquivo pessoal
A lei também presume que o animal que tenha vivido a maior parte de sua vida durante a relação deve ser tratado como uma “propriedade comum” do casal.
Além disso, se uma das pessoas da relação possuir histórico de violência doméstica, a guarda compartilhada não será liberada em detrimento da proteção do animal.
“É muito importante esse ponto que proíbe que esse agressor tenha, então, a guarda do pet”, reforça a advogada.
🐶 Animais ficam chateados com a separação?
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Segundo Sandra, os animais vivem tranquilamente nos dois lares — Foto: Arquivo pessoal
A partir do momento em que o casal se separa e opta pela responsabilidade em conjunto dos animais, eles passam a viver em duas residências. Segundo Thais, é necessário que os tutores fiquem de olho nos bichinhos, que podem sentir com o divórcio.
“É importante sempre os tutores observarem se o pet está bem, se ele mudou o comportamento e se ele segue se alimentando. Caso haja alguma alteração, [o ideal] é procurar o médico veterinário de confiança.”











