Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães volta à natureza no Morro do Diabo

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

Uma onça-parda (Puma concolor) que sofreu ferimentos graves após ser atacada por cães voltou à natureza depois de mais de 60 dias de tratamento. Batizada de Savana, a fêmea foi solta no Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), nesta quarta-feira (21), após se recuperar dos ferimentos que chegaram a colocar uma de suas patas em risco.

O animal foi resgatado com cerca de cinco meses de idade em uma área de reserva no município de Paranavaí (PR).

Em entrevista à TV TEM, Eriqui Inazaki, gestor de unidade de conservação da Fundação Florestal em Teodoro Sampaio, informou que a onça não estava em boas condições quando foi resgatada.

“Ela teve ferimentos graves nos membros inferiores, nos membros dianteiros. Foi um longo tratamento, ela estava muito anêmica, também estava muito magra, e ela corria o risco de perder uma das patas”, explicou.

Após o tratamento realizado no Paraná, a jovem fêmea recebeu alta para voltar à natureza. Com aproximadamente sete a oito meses de vida, ela foi transportada até o parque paulista, onde uma equipe de cerca de 15 pessoas se organizou para recebê-la.

A escolha do local levou em consideração a necessidade de oferecer condições adequadas para a adaptação do animal e evitar a proximidade com propriedades rurais.

“Nós escolhemos um lugar bem pontual, onde há uma zona bem primitiva dentro do parque. Ali ela vai ter alimento, vai ter água necessária, vai ter todos os elementos para que ela volte a ter a vida na natureza”, afirmou Eriqui.

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

A equipe também tomou cuidados para reduzir o estresse durante a soltura. A caixa de transporte só foi aberta quando a onça estava mais calma, e os profissionais mantiveram silêncio enquanto aguardavam a saída do animal.

“Ela demorou para se habituar, para ter a certeza, a segurança para sair. Mantivemos o silêncio ali, estávamos em várias pessoas e tentamos posicionar também as câmeras e celulares para pegar esse momento muito bonito […] Foi muito emocionante e satisfatório”, contou o gestor.

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

Animais silvestres

Além de receber animais que precisam voltar à natureza, o Parque Estadual Morro do Diabo participa do programa Monitora Bio SP, da Fundação Florestal, voltado ao monitoramento de mamíferos de médio e grande porte.

De acordo com Eriqui, o parque foi escolhido como unidade-piloto da iniciativa. O trabalho utiliza câmeras instaladas na mata para registrar a presença e a movimentação dos animais.

Segundo o gestor, os registros obtidos ao longo dos anos apontam o parque como uma área importante para a ocorrência de onças-pardas.

A unidade também abriga espécies como a onça-pintada e o mico-leão-preto, que tem no parque uma das áreas de maior relevância para sua conservação.

O gestor orienta que pessoas que encontrarem animais silvestres feridos ou em situações de risco procurem os órgãos responsáveis, em vez de tentar fazer o resgate por conta própria.

“É interessante entrar em contato também com o Corpo de Bombeiros, com o 193, ou com a Polícia Ambiental. Esses órgãos sempre se conversam, para que a gente ache o melhor caminho para fazer o resgate e o direcionamento desse animal também”, orientou.

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação

Após mais de 60 dias de tratamento, onça-parda atacada por cães é devolvida à natureza no interior de SP — Foto: Fundação Florestal/Divulgação