Julio Cesar Cacciari é capitão da Polícia Ambiental no oeste paulista e compartilha uma rotina dedicada à proteção dos animais e à educação ambiental em campo e nas redes sociais.
Conviver com um animal é compartilhar a rotina com um ser vivo que transmite amor, ternura e felicidade. Ele acompanha, arranca sorrisos e acalenta nos dias tristes, oferecendo afeto de forma sincera. No entanto, nem sempre essa relação é de cuidado, pois o ser humano pode fazer mal aos animais — e muito.
É em situações assim que os defensores se tornam parte essencial no dia a dia desses bichinhos, em uma “missão nobre” que envolve acolher, resgatar, cuidar e aplicar a lei ou um conjunto desses fatores.
Nesta sexta-feira (6), Dia do Agente de Defesa Animal, o capitão da Polícia Militar Ambiental Júlio César Cacciari de Moura conta ao g1 como é a rotina dedicada à proteção dos animais, tanto nas ações em campo quanto por meio das redes sociais.
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Capitão Júlio César Cacciari de Moura dedica rotina à proteção dos animais, tanto nas ações em campo quanto por meio das redes sociais — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Cacciari ingressou na Polícia Militar aos 18 anos, e a atuação no Policiamento Ambiental começou por vocação. O oficial lembra que sempre teve uma forte ligação com o ato de proteger e dedicar-se à natureza e aos animais, proteger vidas e garantir a existência.
“A Ambiental me deu a oportunidade de unir missão, trabalho e propósito. Não é só polícia, é defesa da vida”, afirma.
Ano após ano, o policial presenciou casos de crueldade que “chocam até quem tem casca grossa”. Resgates de animais agonizando, prisões, destruições ambientais feitas por ganância e capturas de animais ainda no ninho são apenas algumas das histórias que marcaram a carreira do militar.
“Evoluímos muito em técnica, legislação, equipamentos e integração com outros órgãos. Hoje temos mais preparo, mais conhecimento e mais respaldo legal. Mas também enfrentamos crimes mais sofisticados. É uma corrida constante entre fiscalização e quem insiste em destruir”, disse em entrevista ao g1.
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Nas redes sociais, capitão divulga ocorrências para conscientizar a população sobre o bem-estar animal — Foto: Reprodução/Júlio Cacciari
Dar voz a quem não tem
Para Cacciari, o papel do agente de defesa animal é proteger quem não pode se defender. Isso é feito por meio de resgates, fiscalizações, denúncias de maus-tratos, orientação à população e da garantia de que a lei seja aplicada. “É, acima de tudo, dar voz a quem não tem, diante da injustiça.”
Parte desse trabalho é feita pelas redes sociais. O meio de comunicação passou a ser utilizado diante da necessidade de falar direto com a população, segundo o oficial. Ele destaca que “as redes criam proximidade” e são uma forma de educar, alertar, mostrar a realidade sem filtro e levar à mudança de comportamento.
O capitão costuma postar conteúdos diversos, como materiais de educação ambiental, ações ambientais e ocorrências registradas pelo policiamento no oeste paulista e em outras regiões. Após as divulgações, o oficial observa mudanças de comportamento.
“Tudo isso com mais percepção sobre o que é certo e errado, mais informação circulando e, principalmente, mais gente atenta. Muitas ocorrências só chegam até nós porque alguém viu, aprendeu e decidiu denunciar”, destaca.
Segundo o oficial, a conscientização digital ajuda a reduzir ou coibir crimes ambientais, pois quem sabe que será fiscalizado, denunciado e exposto, mesmo que indiretamente, pensa duas vezes antes de cometer um crime. “Informação é uma forma poderosa de prevenção”, ressaltou.
“[A educação ambiental] Sem dúvida é a maior e mais avançada arma que a sociedade possui. Precisa avançar nas escolas, nas famílias e na vida do dia a dia, com empatia e respeito. Educação ambiental não é só sobre floresta, é sobre ética, empatia e responsabilidade, sobre vivermos em sociedade”, disse.
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Capitão divulga ações ambientais e reforça a importância do cuidado com a natureza e os animais — Foto: Reprodução/Júlio Cacciari
Denúncias
Atualmente, na região de Presidente Prudente, a atuação da Polícia Militar Ambiental inclui ocorrências de apreensões de animais provenientes do tráfico de animais, casos de maus-tratos e abandono, criação ilegal de animais silvestres e combate à pesca ilegal.
A quantidade de registros varia, mas são dezenas todos os meses. “E sabemos que muitos casos ainda não chegam até nós, o que mostra a importância de denunciar e o compromisso também dos outros órgãos públicos”, reforçou.
Apesar de haver alguns avanços na área de crimes ambientais, Cacciari afirmou que muitas coisas precisam melhorar: “Leis mais duras e a execução das penas existentes. Mais consciência da população e educação contínua que leve à mudança de comportamentos. Tudo isso com mais estrutura para fiscalização. Muitas vezes o crime acontece porque alguém acha que ‘não vai dar nada'”.
As denúncias são fundamentais no combate aos crimes ambientais e podem ser feitas de forma anônima. Basta procurar a Polícia Ambiental, canais oficiais ou a Polícia Militar. “Denunciar é um ato de coragem e cidadania”.
A atuação diária dos agentes de proteção animal também faz a diferença. “Meu respeito a todos que lutam para que animais sejam tratados com dignidade e respeito. Cada denúncia, cada compartilhamento e cada atitude fazem diferença. Defender os animais é defender a vida.”
Para quem sonha em seguir carreira na Polícia Ambiental ou na defesa animal, Cacciari aconselha estudo, preparação e propósito.
“Não é uma missão fácil, mas é uma das mais nobres. Quem entra por amor ao servir, trabalha com propósito, isso muda tudo, é o que mais nos aproxima a Cristo”, finalizou.
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Ocorrências e ações sociais são compartilhadas pelo capitão — Foto: Reprodução/Júlio Cacciari
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Nas redes sociais, capitão divulga ocorrências para conscientizar a população sobre o bem-estar animal — Foto: Reprodução/Júlio Cacciari












