Pesquisa mostra que apenas metade dos brasileiros quita todas as contas do mês. Escolas e especialistas apostam em planejamento precoce para driblar ansiedade e custo de vida.
Sonhos como o de conquistar a casa própria, comprar um carro e viajar podem ser realizados a partir do planejamento financeiro. Porém, o medo em relação ao emprego e o alto custo de vida dificultam a organização financeira da maioria das pessoas.
De acordo com uma pesquisa de inteligência de dados, apenas metade dos brasileiros conseguem pagar todas as contas do mês. Nesse contexto, a educação financeira desde cedo pode fazer a diferença em um futuro com menos endividados.
Educação financeira nas escolas
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Alunos aprendem a se organizar financeiramente — Foto: Reprodução/TV TEM
Para criar uma consciência com o dinheiro, algumas escolas já possuem matérias relacionadas à educação financeira. É o caso de uma instituição particular de Bauru (SP), que adicionou a disciplina em sua grade há 5 anos.
Na turma do sexto ano, os alunos entre 10 e 12 anos começam a aprender o valor do dinheiro e quando devem gastá-lo. “A matéria serve para eu ter responsabilidade, ver se eu posso gastar mesmo, se eu preciso”, reconhece o aluno Joaquim dos Santos Ferraci, de 10 anos.
“Ajuda a saber se eu quero essa coisa mesmo, se realmente eu preciso disso. E para saber se o dinheiro que eu tenho bate o mesmo valor que essa compra”, destaca a aluna Adriane Nunes da Silva, de 11.
Além do aprendizado na sala de aula, a escola também promove eventos para que os alunos tenham a experiência de como usar o dinheiro com consciência.
Os resultados chegam até para os pais, que percebem a mudança de comportamento dos filhos. A professora Elizangela Jacobini Lopes conta ainda que os alunos exercitaram na prática quando realizaram um bazar.
“Eles [as crianças] doaram brinquedos, livros e nós fizemos o bazar. Nesse dia, nós montamos a lojinha do quinto ano. E aí eles puderam vivenciar as duas situações: como empreendedores, vendendo o produto deles porque precisavam lucrar e como consumidores, então eles também puderam comprar das outras turmas”, relembra a educadora.
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Escolas possuem matérias voltadas para a educação financeira — Foto: Reprodução/TV TEM
Organização
Giovanna Neves é maquiadora e auxiliar administrativa, tem 22 anos e já se estrutura para ter dinheiro, com o objetivo de realizar os próprios sonhos.
“Eu lembro que eu comecei a trabalhar e eu tinha um sonho de ter minha penteadeira. Então, o meu primeiro salário foi investido em uma penteadeira justamente para eu dar início aos meus trabalhos como maquiadora”, afirma a jovem.
“Logo em seguida, meu maior sonho foi realizado também, que foi tirar minha carteira de habilitação. Hoje em dia eu tenho minha carta de motorista, tenho meu carro”, acrescenta ela.
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Planejamento financeiro é importante para a realização de sonhos — Foto: Reprodução/TV TEM
Para a jovem, o planejamento foi essencial para a realização de seus objetivos. “Eu tinha um pouquinho de medo de não dar certo, mas assim, com planejamento, colocar metas, eu acho que é o principal e que a gente consegue alcançar os objetivos. Foi o que eu fiz na época”, explica.
Ainda segundo a pesquisa, mais de 10% das pessoas precisam de ajuda ou de empréstimo, uma realidade que preocupa a maioria dos jovens e reforça a importância da educação financeira desde a infância.
Situação favorável para a geração atual
Apesar da dificuldade em ter um controle financeiro, a situação tem melhorado principalmente entre os jovens. A economista Naiara Fracaroli aponta que as gerações atuais têm se organizado melhor.
“Outras gerações começaram a trabalhar mais cedo. E muitas vezes não podiam escolher a profissão. Então a vantagem hoje é essa. Você tende a conquistar um lugar de trabalho mais adequado ao que você deseja”, afirma.
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Economista aponta que as gerações atuais têm se organizado melhor com dinheiro — Foto: Reprodução/TV TEM
Pela entrada mais demorada no mercado de trabalho, os jovens se sentem ansiosos, mas a economista garante que a situação está favorável a esse público.
“Quando você começa [a trabalhar], existe essa ansiedade, essa comparação, uma falta de planejamento financeiro. E aí existe essa sensação de que as coisas pioraram, quando na verdade, elas estão melhores”, confirma a economista.












