Onça ataca e mata nove carneiros em escola técnica na zona rural de Adamantina

Onça ataca e mata nove carneiros em escola técnica na zona rural de Adamantina

Nove carneiros utilizados em atividades pedagógicas da Escola Técnica Engenheiro Herval Bellusci, em Adamantina, foram encontrados mortos na manhã desta sexta-feira (23), após ataque atribuído a uma onça. Os animais apresentavam sinais de dilaceração, compatíveis com a ação de um animal silvestre. Assista (as imagens foram desfocadas).

A unidade de ensino está localizada na zona rural do município, na região do bairro Boa Vista. De acordo com representantes da Escola, o ataque ocorreu durante a noite e foi percebido pelo caseiro da propriedade, que ouviu barulhos vindos do local onde o rebanho é mantido. Ao verificar a situação, ele se deparou com a presença do animal silvestre na área dos carneiros.

Ainda conforme a Escola, há protocolos de manejo e proteção do rebanho, incluindo o recolhimento noturno dos animais, além de barreiras físicas. Mesmo com essas medidas preventivas, a onça conseguiu acessar o espaço e atacar os carneiros.

O rebanho é utilizado em atividades práticas de ensino, integrando a formação técnica oferecida pela instituição. A Escola também conta com equipes de vigilância, tanto para a proteção patrimonial quanto para garantir a segurança de funcionários e estudantes que frequentam o local diariamente.

O episódio gerou preocupação entre a comunidade escolar e também na vizinhança, formada por moradores e proprietários rurais. A situação acendeu um alerta sobre a necessidade de alternativas que ampliem a segurança no entorno, especialmente diante da proximidade entre áreas rurais, fragmentos de mata e zonas habitadas.

Entre as possibilidades sinalizadas está a adoção de medidas legais para a captura do animal, seguindo rigorosamente os protocolos ambientais, com posterior reintegração da onça a uma área de vegetação nativa mais afastada de regiões habitadas. Qualquer ação, conforme ressaltado por representantes da Escola, deverá respeitar a legislação ambiental vigente e os órgãos competentes.

Em linha reta, a sede da Escola Técnica Engenheiro Herval Bellusci está a cerca de três quilômetros das primeiras moradias urbanas de Adamantina, como os residenciais Belagio, Millenium, Jardim Europa — nas proximidades do cemitério municipal —, além do Residencial San Miguel 1 e do Conjunto Mário Covas.

O que diz a legislação brasileira sobre manejo de animais silvestres

A legislação ambiental brasileira estabelece critérios rígidos para o manejo de animais silvestres, especialmente em situações de risco, como ataques a rebanhos ou proximidade com áreas habitadas.

De forma geral, é proibida qualquer ação direta por particulares, como captura, ferimento ou morte do animal, mesmo em casos de prejuízo material. A fauna silvestre é considerada bem de uso comum do povo, conforme a Constituição Federal.

Principais normas e diretrizes

  • Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998): proíbe matar, perseguir, caçar, capturar ou utilizar animais silvestres sem autorização dos órgãos competentes, prevendo sanções penais e administrativas.
  • Lei nº 5.197/1967 (Lei de Proteção à Fauna): reforça que os animais silvestres pertencem ao Estado, sendo vedada sua eliminação, salvo em casos excepcionais e autorizados.
  • Atuação dos órgãos ambientais: situações envolvendo risco à segurança de pessoas ou prejuízos recorrentes devem ser comunicadas aos órgãos ambientais competentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além da Polícia Ambiental.

Quando o manejo é permitido

A legislação admite medidas excepcionais, desde que:

  • Haja risco comprovado à vida humana ou impactos significativos e recorrentes;
  • O manejo seja realizado exclusivamente por equipes técnicas autorizadas;
  • A prioridade seja a captura e remoção do animal, com posterior soltura em área de habitat adequada e distante de zonas urbanas ou produtivas;
  • Todas as ações sejam formalmente registradas e acompanhadas por órgãos ambientais.

Responsabilidade e prevenção

Especialistas e a própria legislação reforçam que a melhor estratégia é a prevenção, com:

  • Reforço de cercas e estruturas adequadas;
  • Manejo correto de rebanhos, especialmente no período noturno;
  • Monitoramento e vigilância em áreas próximas a fragmentos de mata.

Em casos como o registrado na zona rural de Adamantina, qualquer decisão sobre captura ou remoção do animal deve seguir rigorosamente os procedimentos legais, garantindo a segurança das pessoas, a proteção do patrimônio e a preservação da fauna silvestre.