Diversificar pastagens é alternativa simples para intensificação sustentável da produção pecuária

Marandu ou (Brachiaria brizantha) ocupa maior área de pastagens no Brasil

Diversificar pastagens é alternativa simples para intensificação sustentável da produção pecuária

Marcelo Carvalho, Gustavo Braga, Allan Kardec Braga e Claúdio Karia
Pesquisadores- Embrapa Cerrados

O Brasil tem cerca de 150 milhões de hectares de pastagens (IBGE). Desse total, mais de 50 milhões de hectares é ocupado pelo Marandu, cultivar da espécie Brachiaria brizantha, o que o transforma, muito provavelmente, no cultivar mais plantado continuamente no mundo, quando se consideram todas as espécies agrícolas. Em 2019, 33% do volume total de sementes comercializadas no País foram de Marandu (Braquiarão), segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Considerando uma taxa de semeadura média de quatro quilos de semente por hectare, esse volume é suficiente para plantar de 4,8 milhões de hectares por ano.
Se por um lado, esse fato comprova o valor desse cultivar, por outro, evidencia a baixa diversidade de forrageiras em uso no Brasil, a despeito do número crescente de opções mais modernas à disposição dos pecuaristas. Essa situação expõe a atividade a um grande risco caso, por exemplo, surja uma nova praga ou doença. Esse monocultivo não permite ao produtor se beneficiar dos diferenciais positivos dos cultivares mais novos.
O aumento de eficiência e produtividade da pecuária nacional passa necessariamente pela melhoria produtiva das pastagens, principalmente quando se considera que boa parte delas se encontra em algum estado de degradação em decorrência da falta de adubação, do superpastejo e/ou do uso de cultivares menos adaptados aos ambientes ou menos especializados quanto à sua função.
O ideal é que os pecuaristas façam um planejamento ou uma reavaliação da atividade, passando pela definição de uma ou mais fases da produção que serão desenvolvidas na propriedade. Considerando que a pastagem é a base de todo o sistema de produção, o indicado é iniciar as melhorias com investimentos que visem à otimização desse componente.
Se a paisagem de qualquer fazenda de pecuária bovina é heterogênea sob vários aspectos (textura solo, drenagem, fertilidade, topografia) e comumente abrange várias etapas do processo produtivo ao longo do ano ou até categorias animais bem diversas, a otimização dos fatores ambientais e das práticas de manejo deve passar pelo uso de forrageiras mais adaptadas e especializadas, ou seja, é importante adotar a diversidade funcional, o que passa necessariamente pela implantação de mais de um cultivar na propriedade